Mulher, mãe, médica e mártir, pela graça de Deus
Palavras não são capazes de expressar a grandeza do testemunho de Santa Gianna em seus 39 anos de vida terrena
Nesse especial da GBA sobre os dias das Mães, nada melhor que começar esse texto com a frase de uma das santas que soube viver de maneira mais linda o privilégio da maternidade:
“Olhe pelas mães que amam verdadeiramente seus filhos: quantos sacrifícios elas fazem por eles. Elas estão prontas para tudo, até mesmo para darem seu próprio sangue para que seus filhos cresçam bem, saudáveis e fortes”.
Santa Gianna Beretta Molla, ou simplesmente Santa Gianna, fala isso com a propriedade de uma mãe que foi capaz de colocar em risco sua própria vida para evitar o aborto da filha que esperava em seu ventre. Por esse forte testemunho de fé e obediência, ela é um das escolhidas desse nosso especial. Vamos juntos conhecer um pouco da história dessa grande mulher.
Gianna Beretta Molla nasceu em Magenta, Italia, em 4 de outubro de 1922. Foi, ao mesmo tempo, médica, esposa e mãe de família, com quatro filhos, e posteriormente proclamada santa pela Igreja Católica, com o sugestivo título de “Mãe de Família”. Formou-se com louvor em medicina e cirurgia em 1949 pela Universidade de Pavia e dali três anos especializou-se em Pediatria na Universidade de Milão. Contudo, devido ao seu grande amor por crianças e mães, frequentou a Clínica de Obstetrícia Mangiagalli.
Seus irmãos, o Padre Alberto, médico e missionário no Brasil, e Francesco, engenheiro, construíram um hospital na cidade de Grajaú, no Estado do Maranhão, no qual Santa Gianna logo manifestou interesse em atuar. Foi desaconselhada, porém, a unir-se ao projeto pela sua saúde frágil, que impedia a realização de longas viagens. Em 1955, adere à vocação matrimonial, casando-se com o engenheiro Pietro Molla, com direito à cerimônia presidida por seu outro irmão, também padre, Giuseppe. Durante seu noivado, escreve ao amado: “Quero formar uma família verdadeiramente cristã; um pequeno cenáculo onde o Senhor reine nos nossos corações, ilumine as nossas decisões, guie os nossos programas”.
Frutos de seu matrimônio, nasceram Pierluigi, Maria Zita, Laura e a caçula Gianna Emanuela. No segundo mês dessa última gravidez, quando estava com 39 anos, é atingida por um fibroma no útero, e três opções são apresentadas pela medicina: retirar o útero doente, o que resultaria na morte de Gianna Emanuela; abortar; ou submeter-se a uma cirurgia de risco e preservar o feto, considerada a mais arriscada.
Mesmo ciente do perigo em prosseguir com a gestação, suplica ao cirurgião: “Salvem a criança, pois tem o direito de viver e ser feliz!”, porque tinha confiança naquilo que Deus lhe ensinara. A operação ocorre com sucesso, e os sete meses restantes são marcados pela espiritualidade da médica e mãe. Nos dias que antecederam o parto, demonstra-se pronta a sacrificar sua vida para salvar a filha: “Se deveis decidir entre mim e o filho, nenhuma hesitação: escolhei – e isto o exijo – a criança. Salvai-a”.
Deu entrada para o parto na sexta-feira da Semana Santa de 1962. Na manhã do dia seguinte, 21 de abril de 1962, nasce Gianna Emanuela, a filha que teve por breves instantes nos braços. Apesar dos esforços para salvar a vida de ambas, na manhã de 28 de abril, após ter repetido a jaculatória “Jesus eu te amo, eu te amo”, falece Gianna aos 39 anos.
Santidade reconhecida pela Igreja
“Meditata immolazione” (imolação meditada). Assim discorreu Paulo VI sobre o gesto de Gianna recordando, no Ângelus dominical de 23 de setembro de 1973, “uma jovem mãe da Diocese de Milão que, para dar a vida à sua filha sacrificava, com imolação meditada, a própria”. É explícita, nessas palavras, a referência ao Calvário e à Eucaristia.
O milagre de sua beatificação ocorreu no Brasil, em 1977, na cidade de Grajaú, no Maranhão, no hospital onde queria ser missionária. Ali, uma jovem protestante que tinha dado à luz foi beneficiada. Já o milagre da canonização foi experimentado por Elisabete Arcolino Comparini, casada com Carlos César, ambos da Diocese de Franca. No início do ano 2000, o quarto bebê que haviam concebido começou a passar por sérios problemas, tendo, no terceiro mês, a jovem mãe perdido, segundo alegava-se, totalmente o líquido amniótico. A intercessão de Santa Gianna foi pedida, ainda no hospital, na presença do bispo de Franca, Dom Diógenes Matthes. Diante da negativa do aborto e da intercessão da “Mãe de Família”, após uma gravidez com ausência de líquido amniótico, sem explicação científica nasceu, no dia 30 de maio de 2000, Gianna Maria, batizada assim em homenagem à fé na santa que a salvou.
Santa Gianna foi beatificada em 24 de abril de 1994 (Ano Internacional da Família) e canonizada em 16 de Maio de 2004, nas duas ocasiões pelo Papa João Paulo II, tendo sido considerada esposa amorosa, médica dedicada e mãe heroica, que renunciou à própria vida em favor da vida da filha, na ocasião da gestação e do parto.
Oremos - Oração à Santa Gianna Beretta Molla:
Ó Deus, Amante da Vida, que concedestes a Santa Gianna responder com plena generosidade à vocação cristã de esposa e mãe, concedei também a mim, por sua intercessão, a graça de que tanto preciso, como também seguir fielmente a vossa vontade, para que resplandeça sempre nas nossas famílias o Dom que consagra o amor eterno e a vida humana. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Santa Gianna Beretta Molla, rogai por nós!
Fio Rubim
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